domingo, 23 de dezembro de 2012

O Apocalipse Real - especulações de um futuro sombrio


Frente às inúmeras "teorias" que predizem o fim do mundo, como pensar um futuro realmente catastrófico e, o que é mais importante, possível de acontecer - tarefa essa inglória, afinal exercícios de previsões geralmente ignoram fatores e deixam de levar em conta uma série de fenômenos. Bem, pensando sobre isso me vem à mente um cenário possível. Primeiramente ele se dirige à idéia de precarização simbólica.

Frente ao modo de sociabilidade do neocapitalismo que i) coloca o individualismo exarcebado em primeiro lugar; ii) hipervaloriza o lado material, o consumo e estimula uma vida pautada na aquisição de objetos materias (o que mostra uma pobreza "espiritual" e "de sentido"); iii) estimula o gozo em excesso ("aproveite hoje, já"); iv) alheiamento de uma massa que entregou sua vida aos governantes sem compreender direito as verdadeiras regras do jogo forjadas por uma elite que as mantèm a qualquer preço; v) O avanço da ciência que evidencia cada vez mais a fragilidade da condição humana e do planeta terra em geral; podemos prever um aumento da sensação de insegurança e temor diante dos conflitos do século XXI.

Esse temor (que aumenta com a precarização do Welfare State) aumenta as crises de ansiedade, pânico e conflitos psíquicos e lançam uma parcela considerável de indivíduos no mundo da medicalização compulsória advindo da saúde mental. No entanto, não serão todos que poderão ser contidos por meio de drogas e medicamentos. Alguns desenvolverão modos de dar vazão aos conflitos psíquicos de maneira discreta e silenciosa, no entanto, à margem da Lei (no sentido jurídico e simbólico). Nesse desenvolvimento de uma massa simbolicamente precarizada se tornará cada vez mais difícil manter a saúde mental, o que abrirá novos espaços para o surgimento de psicoses e modos de dar vazão à loucura propriamente dita. Sendo assim, aumentará i) o número de assassinatos, principalmente decorrentes do surgimento de seitas que terão como fundamento sacrifícios humanos e animais, tal como na idade média; ii) práticas sexuais desenfreadas e cada vez mais voltadas à pulsão de morte (por exemplo, na Inglaterra festas denominadas "roletas russas" promovem orgias sem preservativos onde existem portadores de HIV que tem como gozo "passar" o vírus adiante a uma platéia ciente dos riscos - chama-se "the gif" ou "o presente" esse flertar com o perigo, uma vez que todos sabem que existem pessoas contaminadas na "brincadeira" e é justamente esse risco que excita e é a razão de ser dessas orgias); iii) estímulo ao incesto, uma vez que tabus tendem a ser dissipados em uma sociedade permissiva tal como a sociedade neocapitalista; iv) o retorno de cultos religiosos primitivos próprios das sociedades arcáicas - basta pensar nos evangélicos de hoje e seu primitivismo de pensamento mágico (águas que curam, pastores com poderes sobrenaturais etc) v) o surgimento de uma razão perversa que construirá porões e fortalezas escondidas da lei para práticas socialmente não permitidas; vi) surgimento de seitas com adeptos que pregarão o fim dos tempos e outros devaneios temerosos, assim como modos de vida apartados o máximo possível do Estado concebido tradicionalmente. Na verdade isso já ocorre - vide os Amish. vii) retrocesso dos direitos humanos.

Nota-se que o grande desafio do século XXI (além dos já sabidos tais como aquecimento global, exclusão social, exploração do trabalhador, desemprego, crise econômica etc) se concentrará nos modo de desenvolvimentos psiquícos completamente desenfreados e inéditos.Defendemos o aparecimento de disturbíos inéditos e que muito se assemelha aos inícios do tempo. Nota-se um prazer enlouquecido na agressão e extermínio do semelhante.

Frente esse cenário teremos espécies humanas que desenvolverão modos de praticar seus atos desenfreados por meio de elaboradas estratégias inéditas de perversão (a sexual é apenas uma delas). A crueldade será o principal efeito dessa precarização simbólica. Surgirá então um movimento reacionário que desesperadamente tenderá a conter esse fluxo de loucura que nos aguarda diante o século XXI. O desejo pelo fascismo voltará à tona e emergirá relações humanas pautadas em células ao invés de classes sociais. Os indivíduos se organizarão juntos aos seus semelhantes. Bairros de gays, bairros de evangélicos, bairros de incestuosos, bairros de drogados, bairros de fascistas etc. Essa organização em células se comunicará e muitos tenderão a voltar a usar as leis de maneira autônoma e desvinculada do Estado. Por exemplo, religiosos fervorosos formarão células de extermínio (assassinatos) a médicos pró-aborto. Tudo será feito à margem do Estado, secretamente e teremos novas formas de ameaças. Defender idéias será algo perigoso e serão as células que irão corroer as bases da democracia.

Pois bem, essas idéias apenas são um esboço de algo mais sério e complexo que temos observado surgir aos poucos a partir de sintomas e neuroses próprias do século. O termômetro se encontra nos casos esparsos de canibalismo (esse a nosso ver é um dos temores que surgirão com o passar das décadas) e chacinas em massa. O crime organizado se fortalecerá, pois, terá mais recursos financeiros. Esse mundo desenfreado pode ser visto na crise financeira de 2008. Pouco se disse, mas os lucros advindos dos ganhos com as bolhas especulativas no mercado financeiro serviram para aumentar os gozos dos que enriqueceram (Há uma política do Gozo em voga): prostituição, sexo, drogas e consumo desenfreado (pessoas com dezenas de mansões, iates, carros conversíveis, jóias etc). Esses foram os efeitos do enriquecimento de grande parcela da população de Wall Streat.




Loucura e psicopatias: A cara do Neocapitalismo. O verdadeiro apocalipse.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Sobre os evangélicos


A Constituição garante: liberdade de crença e culto. Pois bem, ninguém impede os evangélicos de manifestarem sua adoração a Deus, ainda bem. O que seria desses instintos que clamam por uma forma. Deus dá à forma aquilo que ela necessita, isto é, uma noção de princípio, meio e fim que a mente humana não consegue suportar ficar sem por muito tempo. Os evangélicos são temem o acaso. Precisam de uma história que os convença de que há sentido. Na verdade, demandam o sentido que a vida em si não possui e nem pode fornecer a ninguém. Os evangélicos temem a natureza, pois, somente ela tem a resposta que eles temem: "não há nada além, apenas a natureza agindo baseada numa aparente ordem que nós atribuímos a ela"." O Fim. Os evangélicos temem o fim. Para tanto criaram uma história de lutas, batalhas e sentido. Forjaram práticas de sociabilidade que os permitissem conviver em harmonia (sempre aparente) com outros seres da mesma éspecie psicológica que também creem no mesmo conto. Mais não só. Insatisfeitos com o mundo também pregam que a existência deve ser corretamente vivida. Esse sentido de "correção" se manifesta em algumas práticas, tal como louvar a Deus, evitar o sexo antes do casamento, ler pedações da biblía etc. Vamos aos fatos:

1 - A pobreza e a privação material lançam muitos evangélicos ( a grande maioria proveem de classe média baixa, a pobres) ao desespero. O Estado pouco o ampara. Assim como ampara mal a todos os necessitados. Portanto, razão número um é a privação material e o desamparo. Se bem que muitos andam construindo laços de sociabilidade propício aos negócios. As indulgências da vulgaridade. Muitos abrem pequenos comércios cujo lucro, longe de vir como uma benção de Deus, vem de seus próprios frequentadores. Por exemplo, em padaria de crentes, atraem fregueses crentes. E por aí vai. Sem contar o enriquecimento de pastores por meio de vendas de livrinhos, cds etc. É a ética protestante e o espiríto do capitalismo em sua versão mais óbvia (claro dadas as modificações históricas e ideológicas). Weber seria mais sofisticado.

2 - A loucura da lógica capitalística - livre mercado, individualização, risco etc - levam muitos dos evangélicos a terem dificuldades de lidar com os próprios conflitos emocionais. Quando bebem, bebem demais. Quando fazem sexo, faz-se demais. Quando se drogam, não conseguem parar. Em suma, fazem dos fatos simples da vida um verdadeiro tabu e mal conseguem lidar com os próprios instintos. Por isso quando se voltam à Deus, o sexo é algo tão complicado. Os valores que cultivam são reflexos dos próprios sintomas. Neuroses Coletivas. O pavor envagélico pelo homossexual refletem suas próprias neuroses e patologias. Estão preso à fixa idéia de sexo como reprodução. Um retorno aos séculos passados em termos de mentalidade e estilo de vida.

3 - Estão aprendendo o jogo democrático na política. Tentar impor seus valores por vias do Congresso Nacional é um verdadeiro perigo à espreita que degola o Estado Laico - valor que desconhecem e essencial para a convivência mais racional dos homens entre si. Os valores evangélicos quando são impostos, traz à lembrança o retrocesso e o primitivismo. O pensamento religioso no geral é primitivo. Ignoram relações causais lógicas e coerentes (acontecimentos banais são explicados por forças cósmicas). Tudo passa a ser envolto por uma mística precária e miserável, que não se sustenta quando desvelada a fundo.  

4 - Por fim, mas não somente, possuem dificuldades de compreender o mundo em termos racionais. Entendem a depredação da natureza pela máquina capitalista que tem sua própria lógica de auto destruição como sinais de um apocalipse. Não conseguem entender a plasticidade dos instintos, o jogo verdadeiro que se encontra sob suas próprias experiências. Escamoteiam enfim o próprio gozo correndo atrás de um lugar seguro para se gozar, no altar. Assim se goza melhor, com o eterno pai perdido. Tristes fins para o futuro de uma ilusão, como bem observou Freud.



A crença em uma mística com fundamentos frágeis: neurose e neocapitalismo.

A ENERGIA






Já há muito tempo se observou que no final, a última palavra em termos de formação da psiquê, se tratava de uma ECONOMIA. A energia investida em objetos - desde a escolha dos objetos parciais ao puro fetiche que torna um objeto "dotado" de poderes "mágicos" (uma meia de nailon, por exemplo) - a "economia psíquica", era determinante para a lógica do inconsciente. Portanto, nada mais pertinente falar da energia. A energia é algo de difícil acesso por meio das palavras. Reich, tentou. Jung e Marcuse também. Se falou, outrora, em Nirvana. No entanto, ela encontra-se presente no respirar, no metabolismo, nas partículas quânticas e nos átomos. Somo formados de átomos, células e funcionamentos que despendem de energia, isso é fato! Precisamos nos alimentar para adquirir energia. Mas não é dessa energia que é formado a estrutura psíquica. E energia do qual falamos trata-se de um investimento em uma cena, em múltiplas cenas, em objetos - em uma forma de entender inconsciente tanto como teatro e suas representações ou então como pura usina de fabricação - em cenários, em acontecimentos. Fabricação, produção incessante. A energia continua a pulsar. Mas não é só. Ela precisa ser descarregada de tempos em tempos. Vamos aos fatos: o aumento da criminalidade por motivos torpos. A banalidade do ato é contra investido de uma brutalidade atroz, a descarga de energia violenta por motivos fúteis. Trata-se de um acaso infeliz e uma briga de trânsito que pode acabar em tragédia. A energia precisa descarregar e quanto mais precarizado simbolicamente está o sujeito, mais a descarga toma formas inusitadas.  


O economista e funcionário do Banco Central (Ricardo Neis) que descarregou seu pé no acelarador e atropelou inúmeros ciclistas sabe bem o quanto que a energia quando descarrega não escolhe lugar, basta uma fagulha para que seja desperado o ímpeto da energia. O capitalismo sobrevive como modo de organização da vida social, porque conseguiu de algum modo ordenar essa energia para seus fins. O trabalho, por exemplo. Uma infindável gama de energia é canalizado na produção de bens, serviços, idéias. O Estado precisa canalizar a energia de seus funcionários públicos. Para tanto, não se deve chegar embriagado no serviço, uma vez que a potencialidade (a força, a energia) se encontra debilitada e dispersa. Quanto de energia é depositado na socialização das crianças. Essas possuem uma energia que é essencialmente, em sua origem psicosexual, perversa por natureza. A energia perversa. Enfim, é a energia que move o mundo, que é em si, também energia. Energia solar. O presidente Shoeber, como observou Deleuze, tina um cú solar, um anús solar, era um psicótico bem sucedido, em suma.