A Constituição garante: liberdade de crença e culto. Pois bem, ninguém impede os evangélicos de manifestarem sua adoração a Deus, ainda bem. O que seria desses instintos que clamam por uma forma. Deus dá à forma aquilo que ela necessita, isto é, uma noção de princípio, meio e fim que a mente humana não consegue suportar ficar sem por muito tempo. Os evangélicos são temem o acaso. Precisam de uma história que os convença de que há sentido. Na verdade, demandam o sentido que a vida em si não possui e nem pode fornecer a ninguém. Os evangélicos temem a natureza, pois, somente ela tem a resposta que eles temem: "não há nada além, apenas a natureza agindo baseada numa aparente ordem que nós atribuímos a ela"." O Fim. Os evangélicos temem o fim. Para tanto criaram uma história de lutas, batalhas e sentido. Forjaram práticas de sociabilidade que os permitissem conviver em harmonia (sempre aparente) com outros seres da mesma éspecie psicológica que também creem no mesmo conto. Mais não só. Insatisfeitos com o mundo também pregam que a existência deve ser corretamente vivida. Esse sentido de "correção" se manifesta em algumas práticas, tal como louvar a Deus, evitar o sexo antes do casamento, ler pedações da biblía etc. Vamos aos fatos:
1 - A pobreza e a privação material lançam muitos evangélicos ( a grande maioria proveem de classe média baixa, a pobres) ao desespero. O Estado pouco o ampara. Assim como ampara mal a todos os necessitados. Portanto, razão número um é a privação material e o desamparo. Se bem que muitos andam construindo laços de sociabilidade propício aos negócios. As indulgências da vulgaridade. Muitos abrem pequenos comércios cujo lucro, longe de vir como uma benção de Deus, vem de seus próprios frequentadores. Por exemplo, em padaria de crentes, atraem fregueses crentes. E por aí vai. Sem contar o enriquecimento de pastores por meio de vendas de livrinhos, cds etc. É a ética protestante e o espiríto do capitalismo em sua versão mais óbvia (claro dadas as modificações históricas e ideológicas). Weber seria mais sofisticado.
2 - A loucura da lógica capitalística - livre mercado, individualização, risco etc - levam muitos dos evangélicos a terem dificuldades de lidar com os próprios conflitos emocionais. Quando bebem, bebem demais. Quando fazem sexo, faz-se demais. Quando se drogam, não conseguem parar. Em suma, fazem dos fatos simples da vida um verdadeiro tabu e mal conseguem lidar com os próprios instintos. Por isso quando se voltam à Deus, o sexo é algo tão complicado. Os valores que cultivam são reflexos dos próprios sintomas. Neuroses Coletivas. O pavor envagélico pelo homossexual refletem suas próprias neuroses e patologias. Estão preso à fixa idéia de sexo como reprodução. Um retorno aos séculos passados em termos de mentalidade e estilo de vida.
3 - Estão aprendendo o jogo democrático na política. Tentar impor seus valores por vias do Congresso Nacional é um verdadeiro perigo à espreita que degola o Estado Laico - valor que desconhecem e essencial para a convivência mais racional dos homens entre si. Os valores evangélicos quando são impostos, traz à lembrança o retrocesso e o primitivismo. O pensamento religioso no geral é primitivo. Ignoram relações causais lógicas e coerentes (acontecimentos banais são explicados por forças cósmicas). Tudo passa a ser envolto por uma mística precária e miserável, que não se sustenta quando desvelada a fundo.
4 - Por fim, mas não somente, possuem dificuldades de compreender o mundo em termos racionais. Entendem a depredação da natureza pela máquina capitalista que tem sua própria lógica de auto destruição como sinais de um apocalipse. Não conseguem entender a plasticidade dos instintos, o jogo verdadeiro que se encontra sob suas próprias experiências. Escamoteiam enfim o próprio gozo correndo atrás de um lugar seguro para se gozar, no altar. Assim se goza melhor, com o eterno pai perdido. Tristes fins para o futuro de uma ilusão, como bem observou Freud.
A crença em uma mística com fundamentos frágeis: neurose e neocapitalismo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário