A ENERGIA
Já há muito tempo se observou que no final, a última palavra em termos de formação da psiquê, se tratava de uma ECONOMIA. A energia investida em objetos - desde a escolha dos objetos parciais ao puro fetiche que torna um objeto "dotado" de poderes "mágicos" (uma meia de nailon, por exemplo) - a "economia psíquica", era determinante para a lógica do inconsciente. Portanto, nada mais pertinente falar da energia. A energia é algo de difícil acesso por meio das palavras. Reich, tentou. Jung e Marcuse também. Se falou, outrora, em Nirvana. No entanto, ela encontra-se presente no respirar, no metabolismo, nas partículas quânticas e nos átomos. Somo formados de átomos, células e funcionamentos que despendem de energia, isso é fato! Precisamos nos alimentar para adquirir energia. Mas não é dessa energia que é formado a estrutura psíquica. E energia do qual falamos trata-se de um investimento em uma cena, em múltiplas cenas, em objetos - em uma forma de entender inconsciente tanto como teatro e suas representações ou então como pura usina de fabricação - em cenários, em acontecimentos. Fabricação, produção incessante. A energia continua a pulsar. Mas não é só. Ela precisa ser descarregada de tempos em tempos. Vamos aos fatos: o aumento da criminalidade por motivos torpos. A banalidade do ato é contra investido de uma brutalidade atroz, a descarga de energia violenta por motivos fúteis. Trata-se de um acaso infeliz e uma briga de trânsito que pode acabar em tragédia. A energia precisa descarregar e quanto mais precarizado simbolicamente está o sujeito, mais a descarga toma formas inusitadas.
O economista e funcionário do Banco Central (Ricardo Neis) que descarregou seu pé no acelarador e atropelou inúmeros ciclistas sabe bem o quanto que a energia quando descarrega não escolhe lugar, basta uma fagulha para que seja desperado o ímpeto da energia. O capitalismo sobrevive como modo de organização da vida social, porque conseguiu de algum modo ordenar essa energia para seus fins. O trabalho, por exemplo. Uma infindável gama de energia é canalizado na produção de bens, serviços, idéias. O Estado precisa canalizar a energia de seus funcionários públicos. Para tanto, não se deve chegar embriagado no serviço, uma vez que a potencialidade (a força, a energia) se encontra debilitada e dispersa. Quanto de energia é depositado na socialização das crianças. Essas possuem uma energia que é essencialmente, em sua origem psicosexual, perversa por natureza. A energia perversa. Enfim, é a energia que move o mundo, que é em si, também energia. Energia solar. O presidente Shoeber, como observou Deleuze, tina um cú solar, um anús solar, era um psicótico bem sucedido, em suma.


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