segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A filosofia maquínica é uma proposta acima de tudo. Por ser uma proposta, ela não tem a obrigação de conter um Sistema acabado e cientificamente "correto" da realidade; ainda que acreditemos na possibilidade de se atingir a coisa-em-si em seu sentido hegeliano. È uma proposta audaciosa, no entanto. Essa proposta se utiliza de conceitos advindos de diversas áreas do saber, mais especificamente, da Psicanálise, da História, da Sociologia, Antropologia e Filosofia - já frisando que não cabe lugar algum para a Metafísica, essa "invenção" que a nosso ver é pura perda de tempo. A filosofia maquínica não está preocupada em manter um rigor epistemológico que tenha como resultado o "abafamento" das idéias. Pelo contrário, os conceitos podem ter uma liberdade em ser citados contando, assim, com a inteligência do leitor e pressupondo que se conheça minimamente os termos utilizados. Estamos mais interessados em criar, imaginar hipóteses e contextualizá-las com exemplos da história e, por quê não, do cotidiano e seus eventos aparentemente banais; desde os eventos mais simplórios, mas reveladores de tendências e narrativas,aos mais extremos. Acreditamos que é nos EXTREMOS que se encontra tudo o que se busca acerca de uma verdadeira origem do "ser" como, por exemplo, a disseminação da prática da "foda de punho". Sendo assim, importante frisar que não é objetivo do blog explicitar conceitos de maneira didática mas utilizá-los com certa margem de liberdade e especulação para, em momentos futuros, servir de base para uma conceituação mais rigorosa. E contando, até mesmo, com a ajuda dos leitores que perdem seu tempo por essas "bandas" virtuais. Estamos mais interessados em imaginar uma construção teórica que agrega conhecimentos de vários saberes, noções de áreas que aparentemente não se se convergem mas que serve de noções e sentimentos "delirantes". O objetivo é lançar idéias ao vento, acreditar que elas circulam e agregam novas idéias, novas observações e caminhos para se pensar sob uma perspectiva séria, cuidadosa e imaginativa.

A filosofia maquínica é uma criação em constante transformação. Apesar do título "máquinico", essa filosofia não se adapta tão bem assim às especulações deleuzianas, apesar de haver certas semelhanças entre alguns conceitos.

A filosofia maquínica parte de alguns pressupostos.

I) Primeiro, é necessário partir de um sentido específico de Homem. A filosofia máquinica parte do princípio de que o homem (a espécie humana) faz parte de uma cadeia evolutiva com contornos Darwinistas. Acreditamos na "animalidade" do homem e que se o mesmo não se comporta como os animais em muitas instâncias da vida é porque o homem está relativamente bem socializado dentro de um elaborado projeto civilizacional, nada além. Não estamos preocupados em defender a idéia de que existe um sentido de evolução - até mesmo porquê tal conceito não existe. Aliás, eles existem na mentalidade antropocêntrica do homem médio. Mas quem deseja realmente pensar em termos honestos, deve admitir de ante-mão que qualquer atribuição evolucionista com contornos culturais deve entender que tais conceitos evolucionistas não passam de juízos de valor. Na verdade o termo "evolução" é carregado de valores morais e subjetivos. Alguns pensam que somos mais evoluídos que os animais e isso nos diferencia de tal modo que a nós, homens, são dadas vantagens que nos colocariam como um ser "especial". Não defendemos essa idéia. Pelo contrário, defendemos que somos animais com capacidades cognitivas mais complexas que os dos nossos ancestrais. Temos a capacidade de linguagem e de símbolizar, mas isso apenas nos coloca como seres dotados de características diferentes em relação a outras características dos animais. Uma diferença radical mas, ainda assim, diferença. Portanto, a filosofia maquínica parte do princípio de que o homem é uma espécie animal (e nesse sentido, ou seja, somos realmente animais diferentes das bactérias, mas muito mais próximo de nossos ancestrais, tais como algumas espécies de macacos). Isso é importante porque não há outras possibilidade ou saídas para uma filosofia maquínica: devemos considerar o homem parte da espécie animal que nada têm de especial a não ser certas singularidades (capacidade cognitiva mais elevada, capacidade de abstração, formação psíquica por vias simbólicas e a consciência-de-si e da morte). Então o primeiro axioma de nossa filosofia é considerar o homem como um bicho (literalmente). Uma espécie animal que como todas as espécies de seres vivos apresenta particularidades e singularidades, mais todas elas calcadas em um substrato biológico.


PARENTES DISTANTES. DARWINISMO E BIOLOGIZAÇÃO DO HOMEM

II) O substrato biológico é importante. Porém, não defendemos a idéia de que os fenômenos socias possam ser explicados por uma lógica fisiológica. Mas, no entanto, podemos recorrer à biologia quando pensamos puramente no funcionamento do corpo humano. Cada orgão possui uma função. O coração, por exemplo, cabe à função de bombear o sangue. Todos os orgãos são inter relacionados e funcionam como uma máquina em seu conjunto. Uma máquina, não tão previsível, mas previsível a ponto de sermos capazes, com a tecnologia existente, de criar bexigas em laboratório e compreender bem o funcionamento e mecanismo dos orgãos no geral e suas patologias. Há, então, um primeiro elemento que se comporta exatamente como uma máquina, a saber, o corpo humano. Essa "impressão", considerar o corpo como uma máquina, faz todo o sentido frente ao desbravamento do Genôma: há um código a ser decifrado. Somos fluxos e máquinas, pois, partimos do pressuposto que há uma lógica subjacente ao funcionamento do corpo e que ela pode ser descoberta em sua plenitude pelo saber científico. A primeira noção de máquina é justificada no âmbito orgânico, químico, físico e biológico. Mas a segunda caracterísitca da máquina humana é ser detentora de um inconsciente também máquinico que pode ser inclusive reduzido a fórmulas "matemáticas". Não é isso que ocorre nos "matemas" lacanianos?

III) Além do biológico, que já comporta uma noção de máquina, também somos formados pela psiquê, ou seja, há um sistema simbólico que se encontra presente na formação do mental e do inconsciente. No entanto, o inconsciente e as formações mentais não devem ser explicados dentro de um paradigma organicionista e biologizante. Longe disso, a psiquê tem sua história e ela é essencialmente simbólica que interage com o mundo social. Porém, apesar da formação mental ser essencialmente simbólica e completamente imprevisível em sua formação, os estudos de Freud e de seu grande precursor Jacques Lacan, desvelaram algumas particularidades de como funciona esse simbólico, isto é, não nos é desconhecido as trajetórias possíveis e existentes da pulsão que auxiliam na formação do inconsciente. Aqui vamos nos desvincular dos autores citados e afirmar que também o inconsciente é uma máquina. Máquina de símbolos, relações, fantasias etc cujo o funcionamento também revela padrões e podem ser codificados. Esse é o segundo axioma de uma filosofía maquínica, a saber, sermos uma máquina abstrata cujo inconsciente está disseminado por todo o aparelho social: na televisão, nas artes, no seio familiar, nas universidades etc. O inconsciente é maquínico e esse conceito de "inconsciente maquínico" nos aproxima da obra de Gilles Deleuze e Félix Guattari. Tomaremos liberdade de alterá-lo, reinventá-lo e especular possíveis leituras que pegam de empréstimo aqui e acolá conceitos que ora se apresentam mais acabados, ora se tornam apenas inspiração para o desenvolvimento de novos destinos conceituais. 

III) A filosofia maquínica não permite a autorização para relacionar qualquer explicação calcada em fenômenos sobrenaturais (existência de espíritos ou coisas do gênero); muitos menos explicações que atribuam aos fatos caráter religioso. Não acreditamos na existência de seres mitológicos e isso envolve Deus. Os Mitos têm uma função essencial nas sociedades em geral, mas eles atendem mais a uma demanda psíquíca e social do que qualquer outra coisa. Logo, o ateísmo é fundamental para que consigamos desvelar o funcionamento dos fenômenos psíquicos e sociais. Tarefa difícil, dado que em pleno séculko XXI vemos emergir com toda força as explicações mitológicas e as práticas mísiticas cujo exctase parece retornar aos seus estádios mais primitivos - por exemplo, acreditar em água milagrosa transformada em mágica pelos pastores das igrejas evangélicas. Enfim, descartamos qualquer traço de crendice popular e contatos com divindades.


São três os axiomas: i) o homem é um animal biológico e faz parte de uma espécie natural dentro da cadeia dos animais existentes e fisiológicamente funciona como uma máquina; ii) O incosciente é uma máquina simbólica; iii) Não há espaço para o misticismo de qualquer natureza. Não há uma única prova consistente da existência de Deus ou de alguma força superior que está à olhar para a humanidade. Os fenômenos atribuídos a deuses e santos são facilmente explicados pelo instrumental científico e os relatos de seus defensores não passam de especulações subjetivas ingênuas e pueris. 


Partindo desses axiomas postaremos algumas especulações, mas sempre à partir dos pressupostos mencionados.



A REALIDADE É UMA SUCESSÃO DE EVENTOS SEM QUALQUER SENTIDO EM SI. 


  

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