Um fato corriqueiro mas extremamente estranho é a criação, pela sociedade como um todo, de um impressionante banco de dados em movimento, ou na expressão de Deleuze,estamos em posse de "arquivos". Trata-se das inúmeras câmeras espalhadas pelo cenário urbano.Bancos, shoppings, estacionamentos, elevadores, supermercados, instituições públicas, condomínios residenciais, algumas escolas, aeroportos, dentre outras, se encontram vigiadas e monitoradas elaborando fonte viva de material para análise psicossocial. A invenção do uso das câmeras para filmar o comportamento de indivíduos...possivelmente saiu de práticas laboratoriais que estudam o comportamento humano, provavelmente. Por um lado, essa vigilância estendida é capaz de auxiliar em casos de desaparecimentos, roubos e outros crimes mais graves. A polícia faz uso constante dessas imagens captadas do cotidiano, assim como as mídias em geral aproveitam as cenas da bárbarie em benefício de audiência e publicidade, no entanto informam.
O primeiro fato surpreendente é que algumas décadas atrás, se a idéia de uma Sociedade de Controle fosse proposta, tal nos moldes que temos hoje, pareceria uma idéia um tanto assustadora. No entanto essa idéia se espalhou e encalácrou nas nossas vidas. Mecanismos de controle do comportamento da espécie humana sempre foram cogitados. Basta nos recordar-mos da criação de instituições psiquiátricas, conventos, prisões etc. O filosófo Bentham já havia proposto um meio de vigiar sem ser visto - o seu famoso "panopticon". Suas idéias, que hoje parecem mais pueris, ganharam força e foram se adaptando ao aparato tecnológico desenvolvido. Tecnologia a serviço da vigilância. Um fenômeno secundário (na verdade nem tão secundário assim) é a enorme criação de um mercado de máquinas de controle. Uma indústria que não para de crescer. Indústrias de Máquinas de Controle.
O primeiro fato surpreendente é que algumas décadas atrás, se a idéia de uma Sociedade de Controle fosse proposta, tal nos moldes que temos hoje, pareceria uma idéia um tanto assustadora. No entanto essa idéia se espalhou e encalácrou nas nossas vidas. Mecanismos de controle do comportamento da espécie humana sempre foram cogitados. Basta nos recordar-mos da criação de instituições psiquiátricas, conventos, prisões etc. O filosófo Bentham já havia proposto um meio de vigiar sem ser visto - o seu famoso "panopticon". Suas idéias, que hoje parecem mais pueris, ganharam força e foram se adaptando ao aparato tecnológico desenvolvido. Tecnologia a serviço da vigilância. Um fenômeno secundário (na verdade nem tão secundário assim) é a enorme criação de um mercado de máquinas de controle. Uma indústria que não para de crescer. Indústrias de Máquinas de Controle.
Profissão: observador das interações maquínicas.
Se por um lado essas quinquilharias forjam uma sensação de segurança ("estamos sendo viajados, estamos seguros") por outro, em nome dessa segurança, a coletividade autoriza a monitoração de parte da sua vida. A sensação de que estamos sendo observados, no entanto, é atribuida a alguns paranóicos, que se "alucina" acreditando estarem sendo observados. Frágil linha entre a realidade e a loucura. Curiosamente, no entanto, a proliferação da vigilância atenderia a uma importante necessidade da psiquê dos indivíduos assustados com a violência espalhada: devido a um grande empobrecimento simbólico (haverá muitas postagens sobre essa situação de empobrecimento) o que se tem é uma mente dada com mais facilidade aos sintomas neuróticos em geral. A necessidade de vigilância vem muito para atender a um certo tipo de paranóia coletiva (diferente dos sintomas caricatos observados individualmente). O medo da violência é apenas a ponta do iceberg para compreender essas tensões psiquícas que são amenizadas quando se acredita estar sendo protegido pelo aparato de segurança tecnológico.
Um outro fator curioso é que conseguimos reduzir a complexidade de se observar a sociedade para inferir análises sociais. Evidentemente, teremos em mãos imagens reveladoras da dinâmica social e dos seus comportamentos. Muitas imagens sobrepostas poderiam revelar, por exemplo, um pouco da lógica maquínica social. Basta, portanto, assistir a inúmeros vídeos que registram a saída dos indivíduos para o trabalho. Grande parcela reproduz exatamente os mesmos sinais cognitivos (ou próximos) que auxiliam no GUIA para à ação (Chegar ao trabalho na hora marcada, por exemplo). A repetição registrada e o corpo biológico atendendo à imperativos sociais é bem explícito.
Registro de ações máquinicas: Sociedade Paranóica.
O Panopticom: Hoje dissiminado e a céu aberto
Importante lembrar também que a proliferação dessas máquinas de controle (que controlam as ações visando dar a elas um padrão de sociabilidade desejado pelo poder hegemônico) aumentam na medida em que a violência tende a atingir o maior número de habitantes das metrópoles. Criamos, assim, um grande laboratório a céu aberto. As práticas de filmagens dos estudos comportamentais que se davam em ambientes controlados (laboratórios de estudo comportamentais) se dissiminou por todos os cantos e se encontram muitas vezes camufladas, a ponto de não notar-mos quando estamos sendo vigiados. Cada vez menores e mais discretas, a maquinária da vigilância e do monitoramento cumpre a sua mais importante função, a saber, assegurar a "normalidade", a repetição e o controle das pulsões humanas, que como sabemos, podem se externalizar de maneiras a mais variadas possível. A disseminação das imagens por métodos de controle está na mão de todos nós: os celulares, por exemplo, filmam eventos que muitas vezes serve como o registro factual da realidade e são expostos para todos (you tube, por exemplo).
Camêras discretas utilizadas para monitorar as ruas: quem observa os que vigiam é uma questão fundamental.



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