É NOS EXTREMOS que se encontra o àpice da verdadeira materialização do poço sem fundo que é o inconsciente irracional. Esse inconsciente, do qual mencionamos aqui, é um inconsciente muito específico, sendo melhor começar dizendo o que esse inconsciente não é. Ele não atende às demandas Freudianas clássicas. Não é o inconsciente do Édipo, esse é apenas um certo devir de muitos outros édipos, assim como, "há mais de um lobo" assim deduziu Deleuze. As múltiplas neuroses sustentadas ainda pelo "aparelho lacaniano" em suas estruturas mais íntimas circulam e, para a sorte dois psicanalista, ainda vai bem, obrigado! O que seria a fonte de renda dos profissionais da saúde mental se ainda não fosse pelo Real (indubitavelmente um conceito lacaniano fundamental). Mas ainda, não é desse inconsciente que estamos falando. Nos aproximamos então das "máquinas desejantes" e sim, é um inconsciente mais próximo do que mencionamos aqui. Mas voltemos aos Extremos. Nos extremos teríamos a aguçada percepção do que seria uma ação limite para o inconsciente, seria aquele ato que rompe com a superfície LITERALMENTE! Vamos a um exemplo prático: imagenemos a violência (consentida, sempre) do ato de um verdadeiro "Fist-Fuck", ou "foda de punho".
A Foda de Punho de que falamos não é tão pueril quanto essa. Falamos de buracos muitos maiores, é necessário mais carne a ser exposta. A nossa foda de punho vai além, ela atenderia dois limites: o que deseja ser perfurado (o passivo) e aquele que vai atrás das entranhas LITERALMENTE. No encontro desses dois pólos Extremos, o limite é literalmente a vida. Parece demais? Então lembremos do caso de Armin Weiwes, mais conhecido como o "canibal de Rotemburgo. O que queria comer e o que queria "ser comido"(literalmente, pois, estamos falando de um devir-canibal).
Esse inconsciente então responde às demandas do Outro. Não tem censuras, ou melhor há a censura quando se chega a um Limite, no qual é melhor não parar, mas devido a uma série de imperativos (A "Lei" lacaniana num nível, as Igrejas em outro. O Estado em mais outro nível), se para! A questão é a seguinte: em uma sociedade (a nossa) em que há duas forças extremamente visíveis, a manifestação dos extremos de um lado, e tentativas de "contenção" ora mais, ora menos visíveis, do outro lado, temos a seguinte questão: como capturar àquilo que escapa? O inconsciente do qual falamos é "para além do princípio do prazer". Ele é máquinico, isso é certo. Ele é apto a formar combinações das mais variadas possíveis (numa lógica de paradoxos); uma combinação do tipo "mamãe (mais poderiamos começar por outra coisa qualquer) - televisão - cachorro - masoquismo". Não importa quantas combinações pensamos, à nível primário de inconsciente só poderia ser algo nesses termos. Ele é uma máquina respondendo desde cedo à toda uma gama de outras máquinas; "a máquina família", a "máquina desejo da mamãe", e assim sucessivamente. É deste tipo de inconsciente que falamos mais explicitamente. Uma mística de semiótica. E claro, a máquina capitalista regulando uma fonte inesgotável de plásticas pulsões, que necessitam serem de algum modo padronizadas, "normalizadas" até para que fosse possível a reprodução biológica. Claro, que isso não melhora em nada. Já mostrou Freud em O mal estar civilizacional, que a normatização tem um altíssimo preço. Mais não é o assunto aqui. Voltemos então inconsciente e a importância em se observar os Extremos. Nos extremos está tudo aquilo que "escapa" muito mais do que no neurótico e seus infindáveis dilemas "burguêses". Esse algo que escapa tem no limite da lei (tal como no Direito Civil, e não como "limite" lacaniano) àquilo que o aguarda: a retirada do convívio humano, para segurança Pública. No entanto, e quando esse "para-além-do-limite" é concedido entre às partes?
Haverá Liberdade para esse estranho inconsciente do século XXI? Não há que se permitir ou não, já está dado. A harmonia do desejo-do-outro (seja qual for, sem restrições) faz parte do projeto Capitalístico em seu cerne crucial: a Individualidade na ordem Liberal.
O mais importante do caso de Armin Weiwes, foi o fato de haver uma conscessão. A máquina-desejante que necessitou (esse é o termo, é a descarga enérgica, o ponto final da "pulsão de morte"que clama pela descarga) que o canibalismo fosse práticado. Estamos falando do ápice da realização do individualismo que coloca em cheque o ponto nevrálgico da Democracia: a Liberdade do Indíviduo e todo esse sistema enlouquecido que é a Liberdade. É toda a realização de Adam Smith e do próprio Direito Contitucional. A tal dá liberdade. E a liberdade nos Extremos? Temos duas saídas aqui: ou elaboraremos melhor novas formas de se lidar com o devir-do-desejo -que-vem (próprio de um neocapitalismo, que um dia teorizaremos) ou iremos criar uma máquina de punição para frear essa subjetividade-por-vir?E os extremos são reveladores porque eles são simplesmente a materialização de uma ordem-outra de subjetividade, que de algum modo está presente em todos os indivíduos, mas que foram mais "bem sucedidas" em evitar de ultrapassar à superfície, para alguns.


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