domingo, 18 de novembro de 2012

Rompendo com as dicotomias maniqueístas, é imposto como desafio refletir acerca da subjetividade e da dessubjetivação considerando suas relações com o capital sem perder de vista três horizontes fundamentais:

i) o capital para se realizar por meio dos homens atuaria mediante um processo de dessubjetivação; no extremo, 
o capital levado a uma expansão irrestrita correspondente a uma dessubjetivação completa do indivíduo culminando na desumanização do homem

ii) os processos de formação da subjetividade do trabalhador estão vinculados ao significado da centralidade ontológica da categoria trabalho. A subjetividade é considerada intrinsecamente vinculada ao “(...) processo da práxis humana do trabalho e do processo de objetivação/ exteriorização do homem como ser genérico. O desafio é vincular uma compreensão ontológica do ser social – ser cuja formação necessariamente é atrelada à categoria trabalho - a uma teoria da subjetividade humana mediada pela forma social do capital; Esse processo equivale a refletir acerca do desdobramento categorial do ser social enquanto uma esfera ontológica específica cujas relações sociais derivadas da esfera econômica são condicionante, mas jamais determinantes;

iii) A dessubjetivação deve ser compreendida como o alvo da captura da subjetividade visando reduzir o trabalhador ao estatuto de coisa. Estatuto esse potencializado pela coisificação das relações sociais instituídas tendo nos valores-fetiches o braço direito para o exercício de dominação do capital;

A precarização do trabalhador é um fênomeno interessante

"A dessubjetivação do trabalho é um processo de negação do elemento subjetivo; pelo processo de dessubjetivação o trabalhador é transformado de sujeito em coisa. Se essa transformação já é dada pela simples venda da força de trabalho, seu caráter é aprofundado na medida em que o trabalhador se torna um objeto manipulável pela ciência. Assim, a dessubjetivação do trabalho torna a atividade do trabalhador algo em que esse se vê negado como sujeito. Através da dessubjetivação
as potencialidades subjetivas do trabalhador se apresentam como independentes e hostis a ele, como pertencentes a um outro. A dessubjetivação reforça o caráter hostil e estranho que o processo de trabalho tem na produção capitalista ao reduzir os elementos subjetivos ao estatuto de coisa".




O Homem-trabalhador-coisa em suas repetições... função social ausente de qualquer traço de função cognitiva apta a desenvolver tarefas de outra complexidade que não a misera função que desempenham... Aqui um exemplo do empobrecimento simbólico que faz parte, a nosso ver, de uma consequencia cruel de uma luta de classes que predomina em qualquer sociedade que cultive a diferença. A ausência de funções intelectuais de média complexidade e a repetição maquínica da função apontam a alienação como consequência última da ilusão social.



Como coisa, a natureza não é objeto para o homem, no sentido de que não resulta da atividade pratica de um sujeito. Por conseguinte, mesmo sendo constituída como coisa na historia, isto é, pelo homem ela é vivenciada praticamente de uma forma abstrata, como se fosse dotada de poder e de autonomia próprios (essa é precisamente uma das dimensões do estranhamento). E paradoxalmente é como se a coisa encarnada nas diversas formas em que é capaz de metamorfosear-se, em capital, em valor de troca (...) é que pusesse sujeitos: os sujeitos como postos pela coisa, isto é, sujeitados.

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