sábado, 17 de novembro de 2012


Sobre o inconsciente e suas possibilidades.

Meditando sobre o inconsciente, temos algumas escolas que tratam da matéria de maneiras diferenciadas. A escola de Winnecot, por exemplo. Mas pensamos que é nas leituras da obra do próprio Freud, Lacan e Deleuze que podemos especular o que seria um inconsciente que atendesse, sem exceção, o paradigma da História. Ou seja, se tudo é cultura e história, então o inconsciente também o será. Importante ressaltar que nem Freud (1927; 1930; 1939), estudioso do psiquismo humano, desconsidera a sociedade em suas reflexões. O inconsciente freudiano é pensado em termos de uma relação social tida por Freud como primária, nuclear e, afirma-se socialmente constituída: não se trata de uma família tomada em universalidade, mas a família burguesa. Portanto, o “mapeamento” do inconsciente freudiano deve ser entendido como um esforço para desvelar o funcionamento de um inconsciente burguês não universalizado em categorias substancializadas.Acertadamente “
a psicanálise de Freud é a economia política da subjetividade do homem burguês”. Ao buscar escapar de compreensões que pouco auxiliam no entendimento da realidade em sua totalidade, considera-se os processos de formação da subjetividade vinculados tanto aos sistemas sociais como também ao campo do desejo. Afirma-se que a subjetividade acompanha as modificações políticas, econômicas, históricas e socioculturais. Ainda que se possa concordar que, ao nível inconsciente, vincula-se a reformulação do cogito cartesiano por Lacan "penso onde não sou" e "sou onde não penso", recusa-se a perspectiva de que a subjetividade seja reduzida a um fenômeno de natureza exclusivamente irracional evitando, assim, destituir a subjetividade e, portanto, o homem, de sua potência transformadora das condições objetivas da vida social. Como colocado por Marx “na medida em que reconhecemos a natureza como algo racional, desaparece a nossa dependência dela”. O entendimento da realidade e do homem não pode ser reduzido às projeções de fantasias edipianas irracionais incapazes de abandoná-lo. Análise essa que delimita o real a uma perspectiva particular do simbólico humano, do desejo e das idiossincrasias pessoais. A resistência a essas perspectivas reducionistas busca atentar para as deficiências em considerar a formação da subjetividade tendo como mote referencial o indivíduo ontologicamente isolado. Assim considerado, o indivíduo é entendido como destituído das capacidades e potencialidades de fazer seu próprio destino, haja vista, que a irracionalidade e o inconsciente se tornam imperativos e, por conseguinte, furta do indivíduo a autonomia de se fazer consciente no processo sócio - histórico de modo legitimo. Sugere-se que se trata de uma problemática que deve ser revisitada à luz das descobertas em outros campos das ciências sociais. Por conveniência, segue-se aqui a colocação teórico– formal de Násio (1993) de que o inconsciente só existe no set analítico. Por outro lado, o referencial psicanalítico evidencia uma mediação – com ênfase na mediação materna – entre indivíduo e mundo exterior que não deve ser ignorada nos estudos da subjetividade. Há ai uma interiorização-objetivação-exteriorização,diversa, mas representativa da relação sujeito – objeto fundamental para pensar a subjetividade em sua totalidade. Pensar a subjetividade sem considerar as relações de troca e as mediações simbólicas presentes na relação entre indivíduos e instituições reduzindo a subjetividade apenas às condições objetivas não é suficiente para compreender as relações ora mais, ora menos consciente das relações estabelecidas entre o indivíduo e o mundo.








O Grande-Outro lacaniano, é realmente a Matrix do século XXI
É nele que se encontra muitas das respostas para o desastre civilizacional que estamos acometidos todos os dias e em todos os tempos. A sociedade capitalista tem um trunfo em relação a esse inconsciente: ela consegue dirigir as pulsões e mantê-las razoavelmente sob controle. Desde que não reprima os estranhas formas de sexualizar e de se relacionar dos indivíduos pós-modernos. A questão crucial é: como "entrojetar" um indíviduo na loucura do cotidiano e mantê-lo funcionando psiquicamente bem? A medicalização do mundo e seu entorpecimento é a resposta desse fracasso civilizacional.

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